HAÑBA!

Stage: Castelo Map
30 June, 23:00

Houve um tempo em que, ainda a lamberem as feridas abertas pela I Grande Guerra (ou I Guerra Mundial), muitos países de norte a sul da Europa viveram um tempo de esperança, euforia, sonho, utopia e abertura cultural nunca vista. Em Portugal (1910-1926), Espanha (1931-1939, marcada por uma sangrenta Guerra Civil) ou até na Alemanha (a chamada República de Weimar; 1919-1933)... apesar da fome, da miséria e do alfabetismo provocada pela recente Guerra e por muitos outros factores socio-económicos, ou ainda mais por isso mesmo, viveram-se tempos em que se acreditava e proclamava um futuro melhor que seria dado pela democracia, pelo anarquismo ou pelo socialismo (então ainda visto, apesar de algumas notícias vindas da Rússia, como o padrão maior de um mundo mais justo, livre, igualitário e fraterno). Depois vieram as ditaduras nazi-fascistas nesses e noutros países (Salazar, Franco, Mussolini, Hitler...). A II Guerra Mundial começou. Acabou-se o sonho.
Na Polónia - país de onde nos chegam os Hanba! e cuja música motiva esta introdução, já se vai perceber porquê - a Segunda República Polaca, nascida das cinzas do I Grande Guerra (em que a Polónia foi aliada do derrotado Império Austro-Húngaro) e da Guerra Polaco-Soviética (iniciada em 1919), culmina com um período de tomada do poder pelos coronéis que fundaram o Sanacja, um movimento fascista que viria a ajudar a abrir as portas à invasão do seu país pela Alemanha nazi em 1939. E onde estão, então, a esperança, a euforia, o sonho, a utopia e a abertura cultural? No fortíssimo movimento de trabalhadores polacos que se opuseram com armas - e, contam também as biografias dos Hanba!, instrumentos musicais - a esse regime totalitário.
Surgidos na cidade de Cracóvia, em 2013, os Hanba! recuperam o espírito rebelde, revolucionário e libertário destes oponentes ao regime da altura - não por acaso, na sua discografia apresentada no seu site oficial CDs que surgem datados dos anos 30 do Séc. XX! - e juntam-lhe uma base punk-rock evidente, o ska, o oi! a condimentos vindos do klezmer, da música cigana e das danças tradicionais polacas - os mais entendidos poderão encontrar por lá eventuais referências à krakowiak e a outros ritmos como a polonaise, o kujawiak, a mazur (que o compositor polaco Chopin tanto apreciava e uma versão mais acelerada da mazurka francesa) ou o oberek. Nas suas roupas, nos seus instrumentos e principalmete nas suas letras, os Hanba! recuperam o espírito desses anos "entre Guerras" e celebram um ideário libertário em que recusam o fascismo, o nazismo, o clericalismo e o comunismo - a Polónia, como bem se sabe, foi uma ditadura comunista entre o período que se seguiu à II Guerra Mundial, mercê da vitória da União Soviética que herdou a parte norte e leste da Europa até 1990) -, celebrando uma figura mítica dos polacos que prezam a liberdade: Gabriel Narutowicz, o seu primeiro presidente eleito que governou apenas durante seis dias, em 1922.
Formados por Andrzej Zamenhoff (banjo e voz), Adam Sobolewski (tambores, pandeireta, pente e voz), Ignacy Woland (tuba e voz) e Tadeusz Król (acordeão, clarinete e voz), os Hanba! tocavam anteriormente em bandas de folk (Bumtralala, Poludnica!), punk (Ziemniaki), indie-rock (SuperXiu, Two Red Triangles) e metal (Crowmoth) e, nos seus concertos, são por vezes acompanhados pelo Krakowski Chór Rewolucyjny (Coro Revolucionário de Cracóvia). E, ao longo da sua curta mas marcante carreira, os Hanba! (que, em polaco, significa "Desgraça!") editaram os EPs "Figa z makiem" (2013), "Prosto w serce" e "Guma i gówno" (ambos de 2014), aque se seguiram os álbuns "Hanba!" /2016) e "Beda Bic!" (2017). Rodeados de uma aura lendária que os apresenta como um verdadeiro furacão musical que arrasa tudo à sua volta, os Hanba! chegam agora ao Med de Loulé.









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