LOS MIRLOS

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28 June, 23:30

Tal como no rock e em outros géneros musicais – para além do que acontece na moda, no cinema, etc… -, também no interminável caldeirão das chamadas músicas do mundo é preciso entrar em cena o conceito de “retro” para se redescobrirem definitivamente géneros musicais mais obscuros ou desconhecidos. E, nessa onda de revivalismos vários, foi preciso aparecerem grupos como os peruanos Bareto e Dengue Dengue Dengue, os mexicanos Sonido Gallo Negro ou os ianques Chicha Libre para que um estilo específico de música andina, a chicha – também conhecida como cumbia peruana ou cumbia amazónica – voltasse à ribalta e começasse a invadir, e bem, o circuito de festivais de world music. Pelo Med de Loulé já passaram os incendiários Sonido Gallo Negro (2016) e, um ano antes deles e mais importante ainda, os Cumbia All Stars (2015), estes uma espécie de Buena Vista Social Club que em vez da música de Cuba dos seus compadres do norte – son, guajira… - nos trouxeram a música do Peru – cumbia, chicha... E, integrados nos Cumbia All Stars, já estavam alguns dos músicos que agora nos visitam novamente e que fazem parte de Los Mirlos. Super-grupo da chicha, os Cumbia All Stars reúnem músicos dos grupos que, nos anos 60 e 70 – criaram a chicha original de que os novos são devedores. Agora, e em nome próprio, Los Mirlos vão reclamar de novo o seu legado.
Mas que legado é esse? É um enorme movimento musical que alastrou pelo Peru nessas duas décadas – e continuando depois a sobreviver embora sem o sucesso de outros tempos – e que reunia nomes como os basilares Juaneco y Su Combo, Los Wemblers e, claro, Los Mirlos, mas também muitos outros que nos últimos anos têm sido redescobertos em várias colectâneas e reedições: Manzanita y su Conjunto, Cuarteto Continental, Los Diablos Rojos, Los Destellos, La Sonora de Lucho Macedo, Los Compadres del Ande, Carlos Pickling y Su Organo Espacial, Coco Lagos y Sus Orates, Andres de Colbert y Su Orquesta, Los Blacangway ou Otto de Rojas. Todos irmanados num género musical que juntava à cumbia colombiana outros elementos latino-americanos (guaracha, valsa crioula afro-peruana, merengue, salsa, son, guajira, boogaloo, descarga, rumba, porro, paseo…) e norte-americanos (surf-rock, funk, disco-sound ou rock psicadélico).
Co-inventores da chicha com dezenas de álbuns e singles editados – a eles se devem hits (agora) globais como “La Danza de Los Mirlos”, “Sonido Amazónico”, “Lamento en la Selva”, “Muchachita del Oriente” ou “Chinito en Onda” – e ao longo dos cinquenta anos de carreira ininterrupta que estão agora a celebrar, Los Mirlos vêm ao nosso festival provar que são eles “a coisa verdadeira” e “os reis da cumbia peruana”. Nascido em 1968 na cidade de Moyobamba, que fica situada no norte do Peru e em plenos Andes (860 metros acima do nível do mar), ao grupo nunca faltou oxigénio para criar uma música única, mágica, dançável e viciante. Também conhecidos como Los Charapas de Oro, Los Mirlos (que, em português, significa Os Melros) têm agora a sua estreia absoluta em Portugal e esse é, para nós, um enorme motivo de orgulho.









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