MIGUEL ARAÚJO

Stage: Matriz Map
28 June, 22:30

Antes, ainda antes, de ser cantor, músico – e, principalmente, guitarrista; ele que lançou moedas a uma fonte de desejos com este em particular -, poeta e compositor, Miguel Araújo é fã de música. E, em entrevistas ou em cima do palco ou nas suas crónicas na revista Visão, não se coíbe em revelar os seus amores e influências, as suas memórias ou descobertas. Na juventude ou ainda agora mesmo, Miguel Araújo vai de Hank Williams aos Nirvana, dos Beatles e dos Rolling Stones aos Diabo na Cruz, dos Dire Straits aos Pearl Jam, de Bob Dylan a Tom Jobim, de Eric Clapton a António Chaínho, de Caetano a Rui Veloso. E não fosse este ter reparado numa nova banda do Porto, também ela a sua cidade-natal, de nome Os Azeitonas e a vida de Miguel Araújo poderia ter sido completamente diferente. Foi Rui Veloso que percebeu de imediato todo o talento e potencial guardado neste colectivo formado em 2002 e onde pontificava um poeta e compositor, Araújo, que desenhava canções de recorte clássico e refinado. O álbum de estreia do grupo, “Um Tanto ou Quanto Atarantado”, é editado em 2005 pela Maria Records, editora de Rui Veloso, numa altura em que a banda estaria – não fosse isto – prestes a acabar.
Mas ainda antes, muito antes, d’Os Azeitonas já Miguel Araújo – nascido na Maia, arredores da Invicta, em 1978 - se tinha atirado ao acto de fazer música: aos onze anos entra para uma banda de versões criada pelos seus primos mais velhos, onde começa a tocar baixo. Nos anos seguintes passa pelos Yellow Lello e pelos Tsé Tsé, que viriam a ter um álbum editado por uma multinacional, a BMG (curiosidade: um dos temas desta banda foi há pouco tempo reeditada em CD na colectânea “Os Anos BMG”). Mas foi n’Os Azeitonas que Miguel Araújo – então já na guitarra e a assumir uma importância muito maior na escrita de canções – se afirmou como um dos mais importantes nomes da música portuguesa a emergir no novo milénio. E ao lado de Marlon (Mário Brandão), Nena (Luísa Barbosa) e Salsa (João Salcedo), os seus amigos de sempre – mesmo tendo deixado o grupo no final de 2016, Araújo continua a ser fã da banda e nunca esquece os seus “compadres” – contribuiu decisivamente para o sucesso dos álbuns que com eles gravou: o já referido “Um Tanto ou Quanto Atarantado” e ainda “Rádio Alegria” (2007), “Salão América” (2009), “Em Boa Companhia Eu Vou” (2011) e “AZ” (2013), para além de “Serviço Ocasional – Os Azeitonas ao vivo no Coliseu do Porto”.
E, a solo, estreou-se com o álbum “Cinco Dias e Meio” (2012), ao qual se seguiram “Crónicas da Cidade Grande” (2014), “Cidade Grande Ao Vivo no Coliseu do Porto” (2015) e o recente “Giesta” (2017). Miguel Araújo escreve canções para António Zambujo, Ana Moura, Carminho, Raquel Tavares ou Ana Bacalhau, para além de andar a colaborar com Rui Veloso nas letras para as novas canções deste (seu) mestre. Com João Só criou uma parceria, em 2010, que nos deixou o EP “Não Entres Nesse Comboio Amor". Participa em álbuns de Samuel Úria, Rancho de Cantadores da Aldeia Nova de São Bento, João Gil ou Paulo de Carvalho. E ao lado de António Zambujo protagonizou um dos maiores fenómenos da música portuguesa dos últimos anos: juntos, os dois com as suas vozes e as suas guitarras, esgotaram por 28 vezes - !!!! – os Coliseus de Lisboa e do Porto no ano de 2016.
Numa das suas crónicas para a Visão, Miguel Araújo – que está de regresso ao Med depois da estreia neste festival em 2013 - escreveu que ele não é famoso, famosas são as suas canções. E, se por um lado isso é verdade – são mais os que conhecem temas como “Anda Comigo Ver os Aviões”, “Quem És Tu Miúda”, “Ray-Dee-Oh”, “Pica do 7” (para António Zambujo), “Fizz Limão”, “Capitão Fantástico”, “Recantiga” “Balada Astral”, “Os Maridos das Outras”, “Valsa Redonda”, “E Tu Gostavas de Mim” (para Ana Moura) ou os mais recentes “Ciúme” (para Ana Bacalhau) e “Axl Rose” do que os que (re)conhecem o seu autor -, por outro, são também cada vez mais aqueles que, ao ouvi-las, lhe colam de imediato o rosto de um rapaz de barbas e olhos brilhantes que tem ar de ser do Porto. E esta é uma “sondagem para aferir os índices de popularidade” cada vez mais fácil de fazer.









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