RICARDO MARTINS

Stage: Castelo Map
29 June, 21:00

Por muito estranho que possa parecer – visto ser ela, porventura, o instrumento nacional mais reconhecido -, a guitarra portuguesa raramente é usada fora do contexto do fado de Lisboa, do fado de Coimbra ou da prática não-profissional em contexto rural e em que a guitarra é usada para acompanhar fados, sim, mas também chulas e viras, saias e fandangos, corridinhos e malhões, verde-gaios e baladas (uma prática que tão bem tem sido documentada nos últimos anos pelo livro/CD “A Origem do Fado”, de José Alberto Sardinha, ou pelo canal A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, de Tiago Pereira, que também estará no Med com os Sampladélicos). Mas há, claro, excepções. Seja na sua inclusão em géneros musicais diferentes como o rock (Luís Varatojo n’A Naifa), na – diga-se assim por facilidade - world music (Tó Viegas nos discos de Viviane, Gonçalo Almeida nos Marafona, João Lima nos Oquestrada, Hugo Gamboias nos Pensão Flor…) ou até no hip-hop (Macacos do Chinês), na música electrónica (M-PeX) ou no heavy-metal (Ricardo Gordo).
Seja também, e de uma forma mais efectiva ainda, na utilização da guitarra portuguesa como instrumento solista e ao serviço de composições próprias e originais. Os pioneiros Artur e Carlos Paredes, claro, mas também António Chaínho, Pedro Caldeira Cabral, Ricardo Rocha, António e Ricardo Parreira, Custódio Castelo, Luísa Amaro, Paulo Soares, Henrique Borges, José Alegre, João Alvarez, Luís Marques, Miguel Amaral ou Marta Pereira da Costa contam-se entre os poucos que usam a guitarra para com ela criar uma música própria e só deles.
E, a este rol – que, apesar de tudo, não está completo – junta-se também o músico algarvio Ricardo J. Martins, que é de São Brás de Alportel mas reside aqui mesmo, em Loulé. Ricardo J. Martins estudou guitarra portuguesa, pertenceu a uma tuna universitária e, em 2008, foi o vencedor do Prémio Juventude na categoria de Música atribuído pela Câmara Municipal de S. Brás de Alportel. Ao longo da sua carreira de músico, acompanhou ao vivo e com a sua guitarra portuguesa artistas (da música e do teatro) como Ângela Pinto, Maria do Céu Guerra, José Fanha, Irene Flunser Pimentel, Marco Rodrigues, Pedro Moutinho, Diamantina, Filipa Cardoso, Isabel de Noronha, Ilda Maria, Ana Sofia Varela e Viviane. Com Viviane participou também nas sessões de gravação dos discos “Dia Novo” e “Confidências”, nos temas: “Do Chiado Até ao Cais”, “Era a Voz que Salvava” e “Fado do Beijo”, sendo que dois destes temas foram singles. E actuou em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Holanda, Inglaterra, Alemanha, Luxemburgo, Sérvia, Canadá, Estados Unidos e Cabo Verde.
Em 2014, Ricardo J. Martins edita o seu primeiro álbum, homónimo, em que apresenta já um tema original, “Danças na Eira”, ao lado de grandes clássicos da guitarra portuguesa de Lisboa – e de autores como Jorge Fontes, Fontes Rocha, José Lopes, José Nunes ou Casimiro Ramos – e de temas de música tradicional algarvia como o “Corridinho de S. Brás” (popular), a “Marcha da Nossa Senhora da Piedade” (de Manuel Martins Campina) e “Alma Algarvia” (José Ferreiro Pai). Mas o segundo álbum, “Cantos & Lamentos”, editado em 2017 pelo selo espanhol Música Fundamental, é já completamente preenchido a temas originais compostos por Ricardo, incluindo uma revisitação de “Danças da Eira”. E, neste segundo disco, a música de Ricardo J. Martins viaja por vários quadrantes musicais onde, para além da influência do fado de Lisboa e de Coimbra, estão bem presentes outros nomes como os inevitáveis Artur e Carlos Paredes, os Madredeus e Rodrigo Leão, a música medieval, a erudita – do barroco à bem mais recente escola minimal-repetitiva – e, de uma forma natural, a música tradicional algarvia, especialmente em “Corre Corre Corridinho”. A sua música é, também por isso, marcadamente local mas está permanentemente em busca de um espírito mais abrangente, aberto e global. Neste álbum, Ricardo J. Martins é acompanhado por um naipe de outros músicos que por vezes também tocam com ele ao vivo: Mayte Salgueiro (voz), Cláudio Sousa (guitarra clássica e baixo), Bruno Vítor Martins (contrabaixo), Ana Figueiras (flauta de bisel), Nelson Conceição (acordeão), Luís Trindade e Rui Rodrigues (ambos em percussões).









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