MED Classic

  • À semelhança dos anos anteriores, o 13º Festival MED também terá um espaço dedicado à música clássica. Nesta edição são quatro os agrupamentos que irão levar a música erudita à Igreja Matriz. Os espetáculos têm início às 19h30, com a duração de 45 minutos.

    LOULÉ | IGREJA MATRIZ
    02/07/ SÁBADO
    19h00

    PROGRAMA
    Trompas e Cordas

    O. Nicolai (1810-1849)
    Três Duetos

    I. Allegro
    II. Andante
    III. Rondo: Allegro

    A. Dvorák (1841-1904)
    Ciprestes (Seleção nº 2, 9, 11, 12)
    Cypresses (Selection N.º 2, 9, 11, 12)

    L.V. Beethoven (1770-1827)
    Sexteto em Mi bemol Maior, Op. 81b
    Sextet in E-flat major, Op.81b
    I. Allegro con brio
    II. Adagio
    III. Rondo. Allegro

    OCS - 
    ORQUESTRA CLÁSSICA DO SUL

    Notas ao Programa
    As seis sonatas para duas trompas por Otto Nicolai são obras substanciais em três andamentos. Os manuscritos originais residiam na Biblioteca Municipal de Stettin, até que foram destruídos durante a Segunda Guerra Mundial. Dois trompistas mantiveram cópias: Kurt Janetzky, membro da Stettin Opera Orchestra de 1935 até a destruição da casa de ópera, e Handel Knott Sr, amador que se pensa que terá feito a sua cópia na primeira década do século XX. Ambas as fontes dão 1848 como ano da composição das sonatas, o mesmo ano conturbado da revolução na Europa. Nicolai, recém-chegado a Berlim vindo de Viena, onde tinha sido mestre de capela da Ópera da Corte desde 1841, fez muitas viagens naquele ano para visitar amigos - em parte porque os teatros de Berlim foram fechados por decreto real e em parte para evitar o desconforto no ruas. A família real pediu-lhe pensar um pouco sobre a criação de um Conservatório e isso trouxe-o de volta ao contato com Carl Nicholaus Türrschmidt, neto do trompista Johann e filho do grande Carl, cuja fama de duo de trompa com Johann Palsa era lendária. Carl Nicholaus, que Nicolai conhecia desde os seus dias em Roma (1833-1837), era um professor respeitado de teoria em Berlim. Talvez tenha sido ele quem sugeriu algumas obras para seus próprios fins, quer como instrumentista como pedagogo.


    As doze “Ciprestes” para quarteto de cordas, B. 152, tiveram origem em dezoito canções para voz e piano alinhavadas por Dvorák em 17 dias. As canções foram escritas quando Dvorák tinha 24 anos. Dvorák nunca publicava as canções na sua forma original, mas deste material surgiram as suas duas primeiras sinfonias e óperas e outras obras vocais. Em 1887, levou doze das canções e reviu-as para quarteto de cordas, agrupando-as na coleção “Echo of Songs”. Não foram publicadas até à sua morte, e o título “Ciprestes” foi conferido no momento da sua publicação, em 1921. Na maior parte dos andamentos, o primeiro violino assume a parte escrita originalmente para voz, e há uma transcrição magistral dos acompanhamentos de piano. Os temas melódicos das peças permanecem intactos, assim como os aspetos harmónicos e rítmicos. Os andamentos são baseados em ideias temáticas individuais, resultando num fluxo constante de melodias - líricas, pouco exigentes, e bonitas.
    Beethoven escreveu variadas peças para instrumentos de sopro na sua juventude. A sua única composição na expressão de serenata/divertimento é o seu Sexteto em Mi bemol Maior, Op. 81b. O trabalho tem um número ‘opus’ enganosamente tardio porque não foi publicado até 1810, mas parece ter sido escrito por volta de 1795, na altura em que Beethoven estava a iniciar o seu caminho na sociedade vienense como virtuoso compositor e teclista, depois de estudar com Haydn - que partiu para a sua segunda viagem a Inglaterra, em janeiro de 1794. Não se sabe se a obra foi escrita para uma ocasião especial, mas foi motivado pelo editor Nicolaus Simrock, que ocupava a posição de segundo trompa na orquestra em Bonn e que se tinha tornado amigo de Beethoven em 1789, quando o compositor entrou para a orquestra como violetista. Simrock publicou uma série de obras de Beethoven, incluindo a sonata “Kreutzer”, Op. 47, e as variações para flauta e piano, Op. 107, e este sexteto pode ter sido escrito para o trompista e para alguns dos seus colegas. O trabalho tem o tom forte e descontraído inerente à serenata/divertimento, embora seja apenas em três andamentos, e as partes para trompa têm ocasionalmente as características que se associam a concertos para trompa ou música de câmara com trompa, como o Divertimento em Mi bemol para trompa, violino e violoncelo de Haydn, ou o quinteto em Mi bemol, K.407 de Mozart, para trompa, violino, duas violas e violoncelo. Na verdade, o K.407 é particularmente parecido ao Op. 81b no estilo e carácter, e foi provavelmente a sua principal inspiração.

    ORQUESTRA CLÁSSICA DO SUL
    Fundada em 2002 como Orquestra do Algarve, torna-se Orquestra Clássica do Sul (OCS) em Setembro de 2013, com o objetivo de levar a sua missão às regiões do Algarve, do Alentejo e da Península de Setúbal em Portugal e da Andaluzia em Espanha, oferecendo uma programação diversificada e de elevada qualidade artística. A OCS tem como fundadores, além do Turismo do Algarve e da Universidade do Algarve, as autarquias algarvias de Albufeira, Faro, Lagos, Loulé, Portimão e Tavira. Os municípios de Alcoutim, Castro Marim, Olhão, Lagoa, Redondo, S. Brás de Alportel, Vila Real de S. António, Silves e Vila do Bispo e a Universidade de Évora tornaram-se, entretanto, associados. Conta também com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos enquanto Mecenas Extraordinário.

    Composta por músicos de doze nacionalidades diferentes, selecionados em concurso público internacional, a orquestra realiza concertos de música de câmara, ópera, Concertos Promenade (destinados às famílias), concertos ligados a outras expressões artísticas (como jazz, fado, dança, literatura), workshops e masterclasses. Além da sua atividade nestas vertentes, aposta ainda numa forte ação pedagógica e educativa junto de camadas escolares, aproximando-se assim de novos públicos.
    A OCS apresenta ciclos de concertos com maestros e solistas nacionais e internacionais, numa programação que inclui obras do barroco ao contemporâneo, para além dos tradicionais concertos em ocasiões festivas.

    A OCS inaugurou a sua atividade artística em Outubro de 2013, tendo Cesário Costa como Maestro Titular e Diretor Artístico. Desde então, tem-se apresentado um pouco por toda a sua área de abrangência, passando por palcos de todo o Algarve, de Setúbal e de Mértola, Ourique, Évora, Castro Verde, Alvito, Marvão, Torrão (Alcácer do Sal), Almodôvar, Redondo, entre outras localidades alentejanas, e mantém também um ciclo regular de concertos em Ayamonte (Espanha).

    Participou nos Dias da Música em Belém 2014 com dois concertos, um deles com a interpretação do jovem pianista Jan Lisiecki, grandemente elogiado pela crítica especializada. Apostou no projeto “Música em Comunidade”, um conjunto de intervenções inéditas no plano social em parceria com diversas entidades, levando a música aos hospitais de Beja, Faro, Huelva e Setúbal, (junto de crianças, pessoas em cuidados continuados e doentes em geral e de profissionais da área de saúde) e ao Estabelecimento Prisional de Faro. No “Festival Caixa a Sul” (anterior “Festival Caixa Geral de Depósitos”), apresentou jazz com Joana Machado e fado com Gisela João, em 2014; em 2015, juntou-se a Vitorino e Janita Salomé e aos Cantadores de Redondo, com o projeto “Clássico EnCante”, que mistura a música tradicional e o cante alentejano às sonoridades clássicas; apresentou também o espetáculo “Uma Viagem Mediterrânica” ao lado do tenor Carlos Guilherme. Atuou na Sala do Senado da Assembleia da República em Outubro de 2014, tendo também nesse mesmo mês subido ao palco do Tivoli BBVA ao lado de Katia Guerreiro para um concerto inédito a convite da Embaixada do México, voltando a partilhar o palco com a fadista no Festival Internacional de Música de Marvão 2015. Levou à cena espetáculos como a ópera “Rita”, de Donizetti em coprodução com a all’Opera – Companhia de Ópera Itinerante, o bailado “Matrioska” em coprodução com a Companhia de Dança do Algarve, e “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky, a convite da Companhia Nacional de Bailado.

    A OCS foi dirigida pelos maestros convidados António Saiote, Christopher Bochmann, Eduardo Álvarez, Jean-Marc Burfin, Jan Wierzba, John Avery, José Eduardo Gomes, Maxime Tortelier, Melani Mestre, Patrycja Pieczara, Pedro Neves, Piotr Sulkowski, Rui Pinheiro, Samuel Draper, Vasco Pearce de Azevedo, entre outros. Atuaram também com a OCS os solistas Bruno Borralhinho, Gonçalo Pescada, António Rosado, Cristina Nóbrega, Rui Baeta, Carlos Monteiro, Carolina Figueiredo, Job Tomé, Sara Afonso, Daniel Hart, Bárbara Barradas, Marina Pacheco, Cátia Moreso, João Terleira, Joana Vieira, João Bettencourt da Câmara, Vasco Dantas, e vários grupos como o Coro de Câmara Lisboa Cantat e o Grupo Coral Ossónoba.

    Na temporada artística para o ano de 2016, para além de investir na continuidade de projetos que abraça há já largos anos e que são ex-libris da sua atividade, inclui na sua programação um conjunto de novas propostas que pretendem dinamizar o seu leque de ofertas artísticas e culturais. A equipa artística conta com Rui Pinheiro como Maestro Titular, com John Avery como Maestro Associado e com Luís Soldado como Compositor Associado.

    Neste quarteto coexiste um sinónimo, singular ou plural; o belo prazer de um público entusiasmado.

     


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