AKUA NARU

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29 Junho, 23:15

AKUA NARU (Estados Unidos)

Nascida em New Haven, no Connecticut, Estados Unidos, é no entanto a partir de Colónia, na Alemanha, que a poetisa, MC e activista social Akua Naru – também conhecida como LaTanya Olatunji e Latanya Hinton - tem desenvolvido a sua actividade lírica e musical. Maravilhoso exemplo de como o rap pode – e deve – ser o género musical mais democrático do mundo, no sentido em que os beats podem ter origem em todos os outros géneros existentes (da música erudita à música africana, passando por tudo o mais que se possa imaginar), Akua Naru bebe enormes doses de inspiração na já longa e rica História do rap e da cultura hip-hop mas também na linha mais pura e dura do spoken word (Gil-Scott Heron, Ursula Rucker…), da música africana (o afrobeat de Tony Allen, o mestre da bateria que tocou com Fela Kuti e com quem Akua Naru colaborou há alguns anos), o jazz, o funk, a soul…
Com um EP – “Poetry: How Does It Feel?” - e três álbuns editados até agora – “The Journey Aflame” (2011), “The Live & Aflame Sessions” (2012) e “The Miner's Canary” (2015) -, Akua Naru é uma orgulhosa transmissora, preservadora e divulgadora do mais profundo que a cultura negra afro-americana nos tem, a todos, legado desde a chegada dos primeiros escravos ao território agora conhecido como Estados Unidos. Orgulhosamente negra, orgulhosamente mulher. Não por acaso, o seu amor pelo hip-hop reflecte-se perfeitamente no refrão do seu maior sucesso “The World Is Listening” muito principalmente para as mulheres que o têm protagonizado: “This is for Latifah, for Lyte, for Shante / Bahamadia, Lauryn Hill, Heather B, for Jean Grae / E-V-E, Nikki D, Salt-N-Pepa, even me / Apani B, for Missy, for Kim, and Foxy / This is for, Rah Digga, Rage, Left Eye, for Yo-Yo / Paula Perry, Nonchalant, Da Brat, for Jane Doe / Rage, Mystic, BO$$, Sparky D”. Não por acaso o seu (outro) nome Olatunji evoca o do grande percussionista nigeriano Babatunde Olatunji, que ensinou a muitos negros (e brancos) norte-americanos a noção de ritmo, de poliritmo, de “contra-ritmo”… E não por acaso foi Akua Naru que acompanhou a Dra. Tricia Rose, que escreveu os seminais livros de análise do fenómeno hip-hop norte-americano “Black Noise” e "The Hip Hop Wars", numa conferência na The Hip Hop Academy em Hamburgo, na Alemanha.
Ouvir agora um disco – ou assisitir a um concerto, como este do Med de Loulé – de Akua Naru é mergulhar no coração, no âmago, nas raízes de uma cultura centenária que, germinada no meio da dor, da opressão, da fome, da tortura dos campos de algodão do Mississippi – e em tantos outros locais dos Estados Unidos -, passaria a ser progressivamente universal. Ouvi-la, e vê-la, é assistir a um vívido tributo a vultos da política, da cultura, das artes e da música – africanos ou afro-americanos - como The Roots e Fela Kuti, Martin Luther King e Malcolm X, Lords of The Underground e Lauryn Hill, Ella Fitzgerald e Miles Davis, Mos Def e Talib Kweli, James Brown e Gladys Knight, Toni Morrison e Maya Angelou, Spike Lee e Muahammad Ali… Os canários eram usados pelos mineiros – e para eles, mineiros, não necessariamente para os pobres pássaros - como um meio seguro de verificar se não havia perigo de intoxicação (enxofre, etc…) nas minas. Metáfora social e política reflectida no título do seu último álbum, “The Miner’s Canary”, Akua Naru convida-nos a entrar sem medos, não numa mina contaminada, mas num universo paralelo em que a força da palavra se sobrepõe a outras forças. E toda a gente sabe ao que nos referimos, sabendo do país de onde ela vem.









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