BOOGAT

Palco: Matriz Map
30 Junho, 00:15

BOOGÁT (México/Canadá)

Fruto de uma enorme predominância económica (e, logo, comercial, promocional, mediática e… dominante) muitos dos géneros musicais nascidos nos Estados Unidos são agora - e desde há muito – cultivados em países de todo o mundo, mais ou menos adaptados às línguas, singularidades culturais e sociais ou géneros musicais desses próprios países e regiões. E, tal como o rock, os blues, o funk, o disco-sound ou o tecno – também o rap (e a cultura maior em que este estilo musical se inscreve, o hip-hop) invadiu todo o planeta incluindo os países latino-americanos de língua espanhola. Do fenómeno Pitbull (norte-americano mas de ascendência cubana) aos também cubanos Orishas, da chilena Ana Tijoux (que o ano passado encantou o público do Med de Loulé) ao argentino Frescolate – e para já não referir o rap no Brasil, igualmente latino-americano mas interpretado em português (este ano representado no Med por BNegão) – o movimento hip-hop nestes países do norte (México), centro e sul das Américas tem sempre a tendência, excelente tendência diga-se, de se mesclar com inúmeros géneros musicais locais.
Uma regra que Boogát – nascido na cidade do Quebec, capital da província canadiana com o mesmo nome, mas com sangue mexicano e uruguaio a correr-lhe orgulhosamente nas veias – segue agora à letra. Depois de, durante alguns anos, interpretar a sua música com letras em francês – a língua mais usada no Quebec -, Daniel Russo Garrido, mais conhecido como Boogát, passou a usar predominantemente a sua língua de família, o espanhol, e na sua sonoridade junta ao musculado e interveniente flow boas doses de música latina: cumbia, salsa, bachata, merengue e reggaeton. Uma fórmula vencedora e explosiva que se pode ouvir em todo o seu esplendor no seu último álbum, “Neo-Reconquista”, com o qual ganhou os prestigiados prémios canadianos Juno e Félix e que sucede ao seu álbum em espanhol igualmente de enorme sucesso “El Dorado Sunset” (2013, também galardoado com um Félix).
E apesar de ter nascido na cidade do Québec, foi em Montréal que começou a dedicar-se a tempo inteiro à actividade musical, abrindo a sua música à língua espanhola ao actuar com Roberto Lopez Project (música latino-americana) e com o produtor de música electrónica Poirier. Ao longo dos últimos anos tem actuado com muita gente conceituada de vários países e áreas musicais como os Frikstailers, Uproot Andy, El Hijo De La Cumbia, Radio Radio, Lido Pimienta, El Dusty, G-Flux, Sotomayor, Super San, Niña Dioz, Mati Zundel ou El Remolon. E, por sua vez, serviu de anfitrião da sua música aos convidados ilustres que participam em “Neo-Reconquista”: La Yegros, Heavy Soundz e Pierre Kwenders. Uma belíssima surpresa sonora e musical a descobrir, com prazer, na segunda noite do Med de Loulé: Boogát, um guerrilheiro urbano que recentemente se mudou, levando junta a família, para a Cidade do México, onde está mais próximo das suas raízes e de uma tradição musical que – no futuro – terá ainda muito mais para lhe, e nos, dar.









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