DANAKIL

Palco: Matriz Map
01 Julho, 00:15

As raízes musicais do reggae – género musical que nasceu na Jamaica nos anos 60 do Séc. XX e que rapidamente se espalhou por todo o mundo graças às canções de Bob Marley, Peter Tosh, Jimmy Cliff (que deu um memorável concerto no Med de Loulé em 2008) ou os Black Uhuru – são bem conhecidas: a mistura fumegante, dengosa, vibrante e interventiva do mento e do calipso caribenhos e antilheses com sonoridades negras norte-americanas (rhythm'n'blues, soul, funk, rock…). Mas a filosofia, a ideologia e a religião que lhe servem de base raramente são lembradas, conhecidas ou valorizadas mesmo por alguns dos seus mais acérrimos fãs: o movimento rastafari, que – muito resumidamente e dito de forma caricatural – surgiu na Jamaica há cerca de cem anos e que considera o Imperador Hailé Selassié (1892-1975), da Etiópia, como a encarnação do Messias anunciado na Bíblia. O por vezes chamado rastafarianismo é não só uma religião – que funde doutrinas colhidas no judaísmo, no cristianismo ortodoxo copta da Etiópia e Eritreia e em várias religiões tradicionais africanas – como uma ideologia política virada para África enquanto origem e matriz primordial de todas as culturas negras, e não só, do mundo. E o reggae, transmissor primordial da catequética rastafari, é agora partilhado por milhões de fãs e milhares e milhares de músicos em todo o lado. Alguns deles – jovens franceses e brancos – decidiram formar uma nova banda, os Danakil. E, não por acaso, o seu nome é inspirado numa região da Etiópia, que serve de berço promordial a esta religião, o rastafarianismo, que tem Jah – o próprio Selassié – como divindade: o Deserto do Danakil.

Arredores de Versalhes – e um pouco mais além, Paris --, ano 2002. Um grupo de colegas de liceu em Marly-le-Roi, apaixonado pelo reggae e por outras expressões musicais – do dub a vários géneros musicais africanos e à música anglo-saxónica – cria a primeira formação dos Danakil, uma formação – ainda e sempre liderada pelo cantor e compositor Balik – que, à medida que o tempo passava, a sua música evoluía e o sucesso era crescente se transformou até atingir agora, em 2016, o número de dezassete músicos em palco (incluindo-se aqui uma poderosíssima secção rítmica e uma inventiva secção de metais). Tendo como inspiração maior Mighty Diamonds, Israel Vibration, Third World, Don Carlos, Bob Marley, Peter Tosh, Bunny Wailer, Steel Pulse e muitos outros nomes grandes do género, os Danakil sempre procuraram, nas suas letras – cantadas em francês –, estar atentos às grandes questões políticas mundiais, principalmente de África – o recente “Mali Mali” é disso um claro exemplo, mas também celebram os seus antecessores (“Marley”) e nunca se arrependeram – trocadilho – de ter feito uma, aliás brilhante, versão de “Non, Je ne Regrette Rien”, de Edith Piaf. Com um lastro de fama devido, muito justamente, às centenas de concertos que deram ao longo destes cerca de catorze anos, os Danakil vão chegar a Loulé com uma bagagem feita de excelentes canções – espalhadas por álbuns como “Micro-climat” (2006), “Dialogue de Sourds” (2008), “Live au Cabaret Sauvage” (2009), “Échos Du Temps” (2011), “Échos Du Dub” (releitura dub destes temas, 2012), “Live on Air à la Cigale” (2012) e “Entre les Lignes” (2014) – e o apadrinhamento de gente grada que, colaborando nos discos dos Danakil ou convidando-os para primeiras partes dos seus espectáculos, são por si só garantia de qualidade indiscutível: U-Roy, Ismael Isaac, Saïan Supa Crew, Mighty Diamonds, General Levy e Jah Mason. E, não por acaso, os Danakil deram, a 30 de Outubro de 2010, o seu primeiro concerto de sempre em África – na capital do Mali, Bamako – no festival que celebrava o 80º aniversário da coroação de Hailé Selassié como Imperador da Etiópia.









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