H.A.T

Palco: Matriz Map
30 Junho, 02:15

H.A.T. (Estados Unidos/Marrocos)

Quem olhar com atenção – e for um coca-bichinhos que gosta de desvendar os nomes de instrumentos exóticos oriundos de culturas musicais diferentes da sua – para uma das fotografias que desvenda (quase) imediatamente o que é a música de H.A.T. – de seu verdadeiro nome Hatim Belyamani, o DJ, músico e produtor marroquino mas que tem por base os Estados Unidos – descobrirá que nela estão um oud (alaúde árabe), dois guimbris (o baixo acústico da música gnawa do sul de Marrocos), uma sitar indiana, um balafon da África Ocidental, uma m’bira (o lamelofone transversal a vários países da África sub-saariana que também é conhecido por kissange, kalimba, etc.), dois djembés e a sua prima darabuka, um dhol (tambor emblemático do bhangra indo-paquistanês)… mas também uma pequena mesa de mistura manhosa e um moderníssimo P.A.D. – o instrumento que guarda e dispara samples em loop -, a que ele dá o nome de El-Macina e que nos seus espectáculos tanto serve para disparar os samples musicais como as imagens que os ilustram.
Estamos, portanto, em território de assumida descoberta de músicas locais, de raiz, de onde H.A.T. é originário – e, neste caso, de Marrocos, portanto – mas também de uma viagem por outros géneros que lhe são exteriores: a música da África Ocidental (ali tão próxima, apesar das centenas de quilómetros de areia que é preciso atravessar, geograficamente e historicamente), mas também a música dos orientes (de outros países árabes e da Índia e Paquistão) ou, mais recentemente, do Brasil – e fica a pergunta, em jeito de brincadeira (claro): onde é que, na foto, estão o berimbau, o cavaquinho ou a cuíca? Não estão lá, mas estão as sonoridades. E, claro!, da sua junção e apresentação com a ajuda de máquinas e de manipulação sonora, de electrónicas e de géneros actuais. À semelhança de outros artistas da sua estirpe – de Pedro Coquenão (Batida) a U-Cef (também marroquino), de DJ Dolores a Shantel, de Mercan Dede a Talvin Singh, H.A.T. inscreve-se imediatamente nesta linhagem dos melhores transportadores da música tradicional para a actualidade absoluta.
E com um estilo próprio que vai sorever influências a variadíssimos géneros musicais. Hatim Belyamani ganhou prémios em Marrocos como pianista clássico, tocou guitarra eléctrica numa banda de heavy-metal, apaixonou-se pela música do norte de África e árabe em geral, para além de se ter deixado cativar por géneros musicais africanos a sul do deserto do Saara e do Brasil. Em Harvard estudou composição, jazz, etnomusicologia. E tudo isto lhe serve para, em áreas da música electrónica – e recorrendo a variadíssimos sub-géneros da chamada EDM (Electronic Dance Music), os misturar com inúmeros estilos sacados a várias regiões do mundo. Criador de dois projectos com conceitos musicais-estéticos-visuais diferentes - REMIX ?? CULTURE (um colectivo internacional que grava, recria, produz, remistura e filma várias tradições musicais do mundo) – e EL MAC-INA – um projecto mais pessoal em que utiliza um dispositivo P.A.D. para lançar loops sonoros e visuais sincronizados. Um espectáculo caleidoscópico, mas absolutamente hipnótico, feito de muitas músicas e de muitas imagens é o que podemos esperar de H.A.T. na segunda noite do Med de Loulé.









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