MAYRA ANDRADE

Palco: Cerca Map
01 Julho, 21:15

MAYRA ANDRADE (Cabo Verde)

A grande, enorme, Cesária Évora cantava, em crioulo e em francês, uma das mornas mais emblemáticas do seu reportório: “Petit Pays”. E, neste título simples, resumia uma dúvida que nos assola, intriga e encanta a todos nós, amantes de música(s) de todo o mundo: como é que é possível que um país tão pequeno, dividido em ainda mais minúsculas (dez) ilhas, como é Cabo Verde, tenha tanta e tão maravilhosa música, tantos e maravilhosos músicos e compositores, tantas e maravilhosas cantoras? É que se pensarmos só na música, pensaremos em mornas e funanás, coladeiras e batuques, valsas e mazurkas… Se pensarmos em músicos e compositores – e só para referirmos dois, dos mais relevantes e já desaparecidos (e para não criar eventuais ciúmes nos, felizmente, ainda vivos) – podemos falar de Antoninho Travadinha e B.Leza… E se pensarmos em cantoras, pensaremos de imediato em D. Cesária, Ana Firmino, Tété Alhinho e Lura, (estas duas também presentes nesta edição do Med de Loulé), Titina, Celina Pereira, Sara Tavares, Nancy Vieira, a jovem revelação Elida Almeida…
…E, claro!, Mayra Andrade! Nascida em Cuba mas cabo-verdiana por inteiro – à semelhança de Sara Tavares e Lura, ambas nascidas em Portugal, ou Nancy Vieira, nascida na Guiné-Bissau -, Mayra Andrade é acima de tudo uma cidadã do mundo, que já viveu em Angola, Senegal, Cabo Verde, Alemanha e França, que é uma apaixonada pela música das suas raízes, sim e em primeiro lugar, mas que também abraça outros géneros como vários tipos de música brasileira e latino-americana (nomeadamente a cubana), o nosso fado, o jazz, a nova folk norte-americana (cf. em “We Used To Call It Love”), o reggae e outras músicas ditas “do mundo”. Cantando maioritariamente em crioulo cabo-verdiano mas também em português, francês e inglês (este mais presente no seu mais recente álbum, “Lovely Difficult”, editado em 2013), a música de Mayra Andrade é sempre um deslumbre imenso e um enorme encantamento.
Logo no início deste século, Mayra Andrade começa a mostrar a sua voz e o seu talento em concertos – Lisboa, Praia, Mindelo, Paris… Assina duetos com gente da mais graúda que há do Brasil – Chico Buarque e Lenine – e de França – Charles Aznavour. Em 2006, Mayra Andrade edita o seu aclamado primeiro álbum, “Navega”, onde pontificavam as composições do genial e precocemente falecido Orlando Pantera. Os dois discos seguintes – “Stória, Stória” (2009) e “Studio 105” (2010; um álbum gravado ao vivo que, para além dos seus temas cantados em crioulo incluía duas surpreendentes versões: “Michelle”, dos Beatles, e “La Javanaise”, de Serge Gainsbourg) – cimentariam ainda mais o seu prestígio e o seu novo papel de embaixadora (entre outras de igual valia) da nova música cabo-verdiana. A sua fama, talento e prestígio valeram-lhe, entretanto, um prémio de world music da BBC Radio 1, em Inglaterra, e o “Victoires de la Musique”, em França. E inúmeras outras colaborações com músicos, cantores e grupos franceses, portugueses, brasileiros, africanos… A banda de rap-funaná de cabo-verdianos radicados em terras francesas La MC Malcriado, o fadista Pedro Moutinho, o grupo congolês Bisso Na Bisso, os brasileiros Trio Mocotó, Mart'nália e Da Lata, o grupo de jazz português Kolme Trio ou, mais recentemente, Branko (presente no mesmo dia que Mayra no Med de Loulé).
Em 2013, escrevia-se na revista BLITZ, a propósito do seu mais recente álbum, “Lovely Difficult”: “Quem, como a cantora cabo-verdiana Mayra Andrade, lançou um primeiro disco («Navega», de 2006) mundialmente aclamado e premiado, bem podia encostar-se à sombra de uma árvore qualquer e repetir ad aeternum uma fórmula vencedora. Mas ela nunca fez isso, e ainda bem. No seu novo, e quarto, álbum Mayra vai ainda mais longe e navega (passe a não-piada) por cada vez mais territórios até aqui inexplorados (…) O todo – em que convivem também compositores como Piers Faccini, Benjamin Biolay, Krystle Warren, Yael Naim ou Mário Lúcio e músicos como o violoncelista Vincent Ségal e o baixista Gerald Toto -- é caracterizado pela própria Mayra Andrade como ‘pop tropical’, o que até está correcto, mas o disco transcende em muito esta ‘etiqueta’”. Uma transcendência constante – neste, nos discos que lá ficaram para trás e no próximo que aí vem… - a que vamos poder assistir ao vivo na última noite do Med de Loulé.









Organização

Parceiros Media


Parceiros