MOH! KOUYATÉ

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30 Junho, 23:15

Moh! Kouyaté – guitarrista, compositor e cantor da Guiné-Conacri – tem, neste momento, uma responsabilidade acrescida àquela que muitos músicos, cantores e outros artistas têm em países considerados periféricos, sejam eles de África, da Europa do Sul, da América Latina, da Ásia: ser o grande embaixador da música do seu país e, talvez através da sua obra, começar a conhecer-se melhor uma cultura riquíssima e com centenas de anos de história: a grande história dos griots que desde o enorme Império Mandinga e até aos dias de hoje contam/cantam os feitos dos seus reis e antepassados, dos seus caçadores e marinheiros, das suas florestas e cidades. É que, ao contrário do que acontece com outros países da África Ocidental – Senegal, Mali, Costa do Marfim ou até a Guiné-Bissau – a música da República da Guiné (ou Guiné-Conacri para se diferenciar da sua vizinha Guiné-Bissau e da mais ao sul Guiné Equatorial) é , salvo raras excepções, relativamente desconhecida em Portugal e na generalidade da Europa. Sim, há o genial Ba Cissoko e o seu grupo homónimo – os aventureiros electrificadores da kora (a harpa mandinga) –, há Mamady Keita – um enorme mestre do djembé –, há o mais que óbvio Mory Kanté – que pôs o seu tema “Yeké Yeké” a bater nas pistas de dança de todo o mundo nos anos 80 –, há os míticos grupos Balla et ses Balladins, Bembeya Jazz ou Keletigui et ses Tambourinis, há ainda Sekouba Bambino, Kanté Manfila ou Les Amazones de Guinée, entre alguns outros. E, agora, Moh! Kouyaté, que transporta no nome – para além de um orgulhoso ponto de exclamação – o nome de uma das famílias de griots mais importantes de África, o nome Kouyaté, comum também aos seus “primos” Bassekou Kouyaté (o mestre maliano do ngoni) ou o também guineense Sekou Kouyaté (conhecido pela sua infusão de influências hendrixianas na kora).

Nascido numa antiga família de griots que remonta ao Séc. XIII, Moh! Kouyate? nunca se limitou, no entanto, a receber, aprender e re-transmitir a música que os seus pais e tios tocavam e cantavam – a ancestralidade da música mandinga, portanto – mas, ao longo do tempo, foi incorporando elementos que lhe eram exteriores: os blues, o rock, o jazz, a soul… E, apesar de ter aprendido a sua arte com os seus familiares e ouvindo outras grandes referências da música guineense – como os guitarristas Se?kou “Diamond Fingers” Bembeya (dos Bembeya Jazz), Kouyate? Sory Kandia e Ousmane Kouyate?, que tocava com Salif Keita –, Moh! apaixonou-se também pela música negra norte-americana depois de ter ouvido um álbum de George Benson – que lhe teria sido mostrado por outro enorme guitarrista da Guiné, Amadou Diallo – e começou a incluir na sua música referências a George Benson, Carlos Santana, Jimi Hendrix, BB King e até o lendário inventor do jazz manouche Django Reinhardt ou o bem mais recente Ben Harper. Ainda em Conacri, anos antes de se ter mudado para Paris – onde reside desde há cerca de uma década –, Moh! funda a banda Conakry Cocktail, em que começou a experimentar a fusão de todas estas influências e, tão importante quanto isso, trava conhecimento com um dos maiores expoentes dos blues norte-americanos e da busca das raízes africanas, Corey Harris (o mesmo que serve de narrador – e o entrevistador de Ali Farka Touté, Salif Keita ou Toumani Diabaté – no primeiro episódio da série “The Blues”, de Martin Scorsese). Foi Harris que convenceu Moh! a com ele fazer uma digressão conjunta nos Estados Unidos e na Europa e a dar-lhe estatuto internacional. Um estatuto que cresceu, com inteira justiça, desde que se estabeleceu em Paris, trabalhou com Ba Cissoko ou a maliana Fatoumata Diawara e editou, em nome próprio, os álbuns “Cilo”, “T'en vas pas, ça va pas” ou o recentíssimo e magnífico “Loundo”, que Moh! vem apresentar ao Med de Loulé.









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