SONIDO GALLO NEGRO

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02 Julho, 23:15

Quem assistiu, o ano passado, ao concerto dos peruanos Cumbia All Stars aqui no Med de Loulé, já poderá fazer uma ideia do que nos espera quando assistirmos ao espectáculo dos mexicanos Sonido Gallo Negro. A sua música – ou inúmeras músicas – de base é a mesma, mas enquanto os Cumbia All Stars são os legítimos representantes da “velha escola” da chicha ou cumbia peruana – eles são uma espécie de Buena Vista Social Club do género, reunindo elementos que pertenceram a grupos míticos e pioneiros como Los Diablos Rojos, Los Mirlos ou Los Destellos – enquanto os Sonido Gallo Negro pertencem a uma nova geração de cultores do estilo – de que os norte-americanos Chicha Libre são outro excelente exemplo – formada por músicos não peruanos mas profundamente apaixonados por esse cadinho experimental de dezenas de músicas diferentes que deram origem à chicha e à sua sonoridade tão peculiar, original e sempre viciosamente dançável. Mas, afinal o que é a chicha? O género – também conhecido como, sim, cumbia peruana (para se diferenciar da sua irmã, a cumbia colombiana) mas igualmente como cumbia amazónica ou cumbia huaracha – terá nascido no Peru em inícios dos anos 60, quando a cumbia colombiana se cruzou por lá com géneros tradicionais do Peru – a guaracha, a valsa crioula afro-peruana (que dá a chicha a sua base rítmica), harmonias musicais andinas e amazónicas – mas também, e muito principalmente, o surf-rock (para o que muito contribuiu a introdução da guitarra eléctrica nos seus grupos de ponta, o calipso caribenho e a salsa cubana. Ainda durante os anos 60 e inícios dos anos 70, a chegada a esse país de discos de rock psicadélico – com Jimi Hendrix e os Doors em destaque – acabaria por moldar definitivamente o género, que bandas como as atrás citadas (e cujos músicos se reúnem nos Cumbia All Stars) e ainda Manzanita y su Conjunto, Juaneco y su Combo ou Cuarteto Continental, iriam ajudar a perpetuar. Uma música dançável e contagiante, tão rica de nuances e harmonias, que ainda hoje parece ser absolutamente actual.

E, apesar de serem mexicanos – de Aragon, Cidade do México –, os Sonido Gallo Negro são um grupo de nobres aventureiros que têm como missão trazer a chicha para a música e as sonoridades actuais, embora mantendo intactas as suas bases estéticas. Com três álbuns editados até à data – "Cumbia Salvaje" (2011), "Sendero Místico" (2013) e "Ecos de Otro Mundo", já de 2016 – este grupo instrumental (que tem voz, mas essa só ouvindo…) de nove elementos formou-se em 2010, partilhando músicos com outras três bandas: o grupo de western spaghetti Twin Tones – com o qual compartilham Gabriel na guitarra e teclas, Darío na segunda guitarra, Truko na bateria, Israel no baixo, Julián nas teclas e sintetizadores, e Lucio nas flautas e bongós –, a banda garage-punk Telekrimen – Edwin nas congas -- e a banda de surf-rock Los Calambres – Roberto no guiro (reco-reco) –, para além de integrarem como membro de pleno direito Dr. Alderete, ilustrador que é o responsável pelo trabalho gráfico do grupo e que, nos concertos, ilustra em tempo reala música dos Sonido Gallo Negro e ainda toca theremin, o instrumento electrónico que também contribui para dar à banda uma sonoridade única. Inspirados na chicha mas também no porro, no mambo e no boogallo, na música de Ennio Morricone, em velhas lendas de “brujeria” e na ficção científica vintage, deles só se pode esperar um grande espectáculo esta noite.









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